UEM oferta atendimento educacional especializado a estudantes com TEA

Universidade Estadual de Maringá (UEM) - fachada. Foto: Heitor Marcon/Div.UEM

De acordo com o Censo Demográfico 2022, 2,4 milhões de pessoas declararam ter diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil. Parte dessa população frequenta a universidade e demanda ações de atendimento específicas. Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), o Programa Multidisciplinar de Pesquisa e Apoio à Pessoa com Deficiência e Necessidades Educativas Especiais (Propae) atende cerca de 100 alunos com TEA, 45% do público total.

Segundo o coordenador do Propae, Fernando Wolff Mendonça, o número de atendimentos tem crescido exponencialmente. “O objetivo é garantir equidade e oferecer as melhores condições de ensino. Mas ser uma universidade inclusiva hoje é um grande desafio, porque vivemos em um contexto de muita competição”, afirmou.

Ao todo, 224 estudantes são atendidos pelo programa, vinculado à Pró-Reitoria de Ensino (PEN). O Propae oferece acompanhamento pedagógico, monitorias, materiais, adaptações e faz a mediação com os professores de graduação e pós-graduação. Antonio Augusto Ferreira Neto, formado em Direito e mestrando em Políticas Públicas é um dos estudantes acolhidos pela equipe. Para ele, o Propae foi essencial na intermediação com os professores.

“No mestrado, tive dificuldades para manter a atenção e na comunicação com meu orientador. Muito disso por ansiedade e dificuldade de aproximação, o que acabou atrasando o processo, pois precisei pedir prorrogação. Com o apoio do Propae, conseguimos melhorar o diálogo, apresentar minhas dificuldades e ajustar o processo. Hoje estou prestes a concluir o projeto. E também construí uma relação muito boa com meu orientador”, conta.

Antonio recebeu o diagnóstico ainda durante a graduação, com 19 anos, e considera um ponto de virada em sua vida. “Eu não vou dizer que vivo em função do autismo, mas isso me deu um direcionamento, para atuar com questões da pessoa com deficiência como um todo. Já palestrei sobre isso e vi que foi uma guinada na minha vida. Encontrei algo que me interessa profissionalmente.”

Oportunidades

No último mês, Antonio viveu uma das experiências mais diferentes de sua vida: foi convidado a participar do quadro “Pode perguntar?”, do Fantástico, da Rede Globo. O formato reúne pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) entrevistando celebridades de forma sincera. O advogado já participou de algumas gravações e ainda voltará para finalizar a participação. Ao todo, serão cinco episódios. O primeiro a ser exibido será com o técnico de futebol Felipão.

“É uma quebra de visão. Mostrar que somos pessoas como quaisquer outras. Temos diferenças, claro, mas isso não significa que somos incomunicáveis. As pessoas podem ter curiosidade, mas não precisam nos ver como algo distante. Somos parte da sociedade, com nossas dificuldades, o que não impede socialização, amizade, relacionamentos. No fim, é sobre isso: pertencimento e visibilidade”, expressou Ferreira Neto.

Abril Azul

O mês dedicado à conscientização da população sobre o autismo foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de envolver a comunidade, trazer visibilidade e buscar uma sociedade mais consciente, menos preconceituosa e mais inclusiva. O TEA é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficit na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas são autistas no mundo. A cor azul estimula o sentimento de calma e de maior equilíbrio para as pessoas com TEA. Nesse caso, o azul auxilia em situações em que a criança, por exemplo, apresenta uma sobrecarga sensorial. Atualmente, o autismo passou a ser representado pelo símbolo do infinito ou pelo quebra-cabeça colorido.

Na UEM, o Propae também é responsável pelo atendimento a acadêmicos com deficiência e/ou Necessidades Educacionais Especiais (NEE), além do recebimento e do encaminhamento de questões relativas à acessibilidade da UEM. A sede está localizada no bloco B-33, sala 3. O telefone para contato é (44) 3011-4448 e o e-mail é sec-propae@uem.br.

Esta reportagem integra a série especial “E se você precisasse?”, idealizada pela jornalista Amanda Rodrigues com a colaboração técnica de produção audiovisual do acadêmico em Comunicação e Multimeios Felipe Fernandes. O projeto faz parte das ações da Coordenadoria de Promoção e Relações Públicas (CPR) vinculada à Assessoria de Comunicação (ASC) e tem como objetivo aproximar a população do que é produzido e realizado na universidade.

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